segunda-feira, 12 de novembro de 2007

TIM FESTIVAL CAPÍTULO IV


Capítulo IV
OS PORTÕES DE ASGARD
Tomei um banho. Lembro ainda do som do cartão do Ibis ativando a tranca da porta do hotel.O sol estava implacável. 18:30 marcava no relógio da recepção do Hotel. Meia dúzia de taxi se encochavam na porta da frente. Peguei o segundo. O primeiro foi com um velhão. O taxista aparentava uns 30 anos. O rádio no talo de Corinthians x Figueirense. Ele perguntou de onde que eu era. Fiquei cabreiro de dizer que era de Florianópolis depois de ele esbravejar horrores contra o Figueirense até então.
Perguntei o placar: “Quanto tá o Timão?”.
Pronto. Linguagem universal. Ele já sabia que eu era Corinthiano, só mencionei que era do sul.
Ele me falou: “Viesse do sul pra esse TIM aí?”
Eu: “Sim!”Ele: “Puta que o pariu mano! Oque vai tocar ali?”
Não adiantava eu falar pra ele o que ia tocar ali. Se eu menciona-se Bjork ele iria achar que eu estava falando outra lingua. Falei que era umas bandas gringas de fora. Quando chegamos na frente...Gente.
O tempo parou pra mim ali. Tinha muita gente. Um sol olímpico brilhava no céu. Ruivas. Morenas. Loiras. Mochila nas costas. Bandanas nas cabeças. Raibans espelhados sobre suas faces atitudes. Nascia ali as KillersGirls, MonkeyGirls, JulietGirls e as feiosas das BjorkGirls.
O taxista olhou pra mim. Largou o palito da boca e abriu um sorriso: “Mano! Cara! Isso dá mulherada hein!?”Saltei. Um cara me atacou vendendo ingressos. Eu já tinha. Meu medo era ser barrado por causa da identidade. Bem ali, naquele climão dos diabos. A espinha gelava. Eu tava sozinho. Mas nesses casos, onde as bandas que vão tocar é só o que você gosta, então é melhor. Não te dá aquela sensação, ou peso na conciência de estar com alguém que não quer estar ali. E sozinho tu pode CAÇAR melhor, ainda mais vindo de fora, sem platéia pra ver tua pífia performance.
Mas antes de adentrarmos os portões de ASGARD vou ser sincero. Aquele público feminino nem se compara com as festas daqui. São Paulo é lugar de gente feia e estranha. E gente nem tão feia que se veste estranha.
Mas ali.
No TIM, por ser no mínimo 200DUZENTÃO por cabeça , já dá uma peneirada.
Vem gente dos JARDINS, do Morumbi, vem ninfetas de linhagem boa, mulheres rockstars da alta.E ISSO ERA SURPREENDENTE. Várias Déboras Falabelas espalhadas ali. Outra coisa surpreendente é que tinha muito mais mulher. Antigamente rock´n rool era só coisa de homem e das suas namoradas. Hoje é de todos.
Caterogias que tinha lá:
KillerGirls - Meninas fãs do The Killers. As melhores. Como o Killers não é uma banda tão recente e pelo estilo abriga uma faixa de idade melhor, gente do Cure, Joy Division, U2 curte. As KillesGirls são pops. São fashionistas na medidade certa. São pattys também. São presença de palco. As camisetas da banda elas compraram lá, mas já no meio da festa. Ou seja. Elas são mais elas. Não são fãs idiotas. Estavam lá pra curtir.
MonkeyGirls - Ninfetas no geral. Mas dá vontade de expremer aquelas ninfas fãs do Arctic Monkeys. Puta que pariu.
JulietGirls - Essas são as mais marvadas. Usavam aquele cocar de uma pena só. Que a Juliete usa. SENSACIONAL. Vi umas que deu vontade de abrir o ziper ali mesmo e bater uma. Uma loira, chefe de uma bando. Tava com a parte de cima de biquine preto. Óculos BL espelhadaço. Mini saia jeans. Cochão. Suada. Lavrada. Salgada. Gata. De botas. FUDIDAÇA!!!
BjorkGirls- Quase EMOS. Jeans. Problema com a balança. De mal com o senhor Sol FAZ anos. Olhares blases do tipo: “Eu sou INDIE!”Vão tomar no cu com essa teoria de INDEPENDENTE!ROCK É POP E SEMPRE QUIS SER CARALHO!!!
Estava na frente do portão. Entrei. Primeira revista. Passei.Caminhei mais um monte. Segunda revista. Passei.Terceira revista. Era só entregar o bilhete e passar na roleta. Passei. SEM IDENTIDADE. ACABOU-SE O SUSTO!!!TAVA LÁ DENTRO! ACABOU-SE! TAVA NO TIM!Só um AVC me tirava aquilo ali.

Um comentário:

Bonsi disse...

Huhauhua, sensacional! "Banco de Negros" foi foda.