quinta-feira, 1 de novembro de 2007

TIM FESTIVAL CAPÍTULO I


Nota: Antes de mais nada quero falar que essas são narrações minhas. Sobre a minha viagem para ver o Tim Festival 2007. Eu não sou escritor e muito menos redator. Existem erros de português, concordância e pontuação. Mas dane-se! Não estou escrevendo para Companhia das Letras.

CAPÍTULO I

NO IDENTITY

Sábado, 27 de outubro, 16:40 da tarde, cidade de Florianópolis.
O sol está implacável. Da janela do meu apartamento, no calor do Dallas – Texas, eu vejo famílias abastecendo seus carros com guarda-sol e cadeiras de praia. E ainda estou digerindo uma macarronada feita as pressas. É o carboidrato necessário pra encarar a maratona que começa às 20 horas daquele sábado ensolarado. Começaria ali A SAGA DO TIM FESTIVAL 2007.

Eu desci do meu prédio as 19:20. Precisava tirar uma grana no caixa eletrônico antes de partir. Meu cartão de débito é uma total navalha, já desgastado ele não passa em alguns aparelhos. A cada compra é sempre aquele frio na espinha abissal. E com dinheiro na mão eu garantiria lá em São Paulo a passagem de volta. Porque não fui de avião? Porque é caro.
80 reais a mais faz uma diferença brutal pra mim. Portanto não me venham com essa panacéia de avião, que pra mim é coisa de classe média. Quando houve aquela crise, pra mim não fez a menor diferença. Tem nego que não tem água encanada, barraco queimado, fome nas entranhas, e neguinho reclamando porque atrasou a viagem a Paris. Pra zona que o pariu. Meu pai ralou o peito mais de 40 fuckin years pra ganhar uma aposentadoria de merda e o filho viajando de avião. Que nego de merda eu seria.

No meio do caminho esqueci algo. Minha carteira de trabalho. Sim. Eu a levaria, pois é meu único documento de identificação visual.
E minha identidade?
Para os que ainda não sabem eu estou sem minha carteira de identidade faz mais de 5 meses. E eu iria viajar pra São Paulo sem a mesma?

AH ia. Ia mesmo. O show do The Killers na minha atual condição psicológica de stress de trabalho, seria a minha válvula de escape. E nada no planeta terra iria me impedir de gritar “Somebody Told Me” a plenos pulmões.

Não refiz a identidade por total falta de tempo. O trabalho me traga a alma. Se eu falto uma manhã sou crucificado as 13:30 da tarde. Impressionante.

Voltei ao apartamento. Peguei a carteira e parti novamente para a Rodoviária.

Na sala vip de uma rodoviária você começa a fazer uma análise de cada ser que ali se encontra. Sete Pecados capitais passando na tv. Aquele clima modorrento de espera. Um olhando para a fuckin face do outro. Imaginando pra onde será que aquele cara ou aquela mulher vai. Está indo? Ou voltando pra casa.

O motor do volvo da Catarinense ruge imponente. Ele chegou. A minha passagem para minha liberdade daquela Floripa de trabalho dos últimos meses estava nos motores daquele volvo. Em algum lugar da Suécia alguém apertou os últimos parafusos da minha fuckim freedon daquele lugar.
Sim gente. Estou implorando por férias. Mas isso é outro assunto.

Ao recolher as bagagens e pedir as passagens o motorista com um mau humor descomunal vociferava: “Quero as identidades nas mãos!”
Gelei minha espinha dorsal novamente. Droga. Eu só queria fugir dali.
Falei para ele que estava com os documentos perdidos. Ele vociferou novamente como um porco dos infernos, um guardião das portas do reino de Hades, o único que poderia me impedir de sair daquela porra de ilha acéfala cuturalmente: “ SEM IDENTIDADE, NÃO VIAJA!”

Era só o que me faltava. Uma cólera imensa assumiu meu corpo. Puxei da minha carteira surrada da Mormaii um B.O. Um boletim de ocorrência feito a meses atrás, da perda da minha porra de identidade. Com olhar rançoso ele grunhiu: “Tá! Vai! Vai!”
GOD SAVE THE QUEEN.

Ao me alocar ao meu acento, a poltrona 29, janela, eu respirei aliviado. Um ônibus executivo. Me custou a bagatela de 110 fuckin money! E mal dava pra esticar a porra das pernas. Iria viajar a São Paulo que nem um saco de linhagem, forrado de batatas na serra. Ali fiz uma prece para que nenhum obeso senta-se do meu lado. No banco vizinho, no meu corredor sentou uma loira de uns 47 anos acho. Bem judiada. Cantava alto no seu mp3 player algo do tipo Bruno e Marrone. Seres. Criaturas se locomovendo em pleno sábado à noite. Para a terceira metrópole do planeta chamado terra.

Abri a minha Rollingstone e liguei meu mp3 player a toda em The Killers.
A matéria era sobre o aniversário do álbum “Never Mind the Bolocks, This Is Sex Pistols”. Um dos 5 álbuns que redefiniram minha fuckin life. Ninguém do meu lado. Beleza.

Rolando igual um saco de batatas eu mal dormi. Na verdade só os olhos estavam fechados. O ônibus parou em Balneário pra pegar outros desafortunados de rodoviárias decadentes. Tentei sintonizar alguma rádio. Acho que em Joinville eu sintonizei algo chamado FLORESTA NEGRA. Uma rádio que ia de “Camila” da porra do NENHUM DE NÓS a BRUNO E MARRONE. A locutora fazia uma ponte com um repórter que estava num baile. Teodoro e Sampaio. Em Joinville acho. Mas que merda era toda aquela?
Eu indo para um festival com as bandas mais populares de Londres, Nova York e Tóquio nos últimos 3 anos, e uns infelizes contentes com Teodoro e Sampaio. Esse país é demais. Doa a quem doer.

Desliguei o MP3 player. Rolando igual a um torno, eu cheguei na parada.
Sim. Quem viaja para São Paulo de ônibus sabe que tem uma parada. Em uma daquelas big lanchonetes de beira de asfalto numa penumbra de Curitiba.
Grunhindo como sempre, o motorista vocifera para aqueles corpos doloridos de sub-latinos a ordem: “Parada de 20 minutos!”
Cento e dez reais por toda essa merda!!!

Olho do meu lado e vejo que aquela loira decadente, está de amasso com um meliante que sentou com ela depois que subiu em Balneário. Saindo do ônibus eu vejo como o diabo é feio como o féu. Seres. Criaturas se alocando para São Paulo. Cada qual com sua missão. A minha? O puro êxtase de um show de rock.

Fim do Capítulo I

3 comentários:

Bonsi disse...

Show Cris, nada como uma loira chechelenta pra alegrar a viagem.
Já na espera do capítulo 2.

Anônimo disse...

Cadê o Capítulo II?? Os leitores estão ansiosos pela continuidade da "aventura"!!

Guilherme Carvalho disse...

Engraçado... 110 é caro pra ir pra SP, mas 150 num binoculo* nao é.
* bem lembrado pelo felipe.

E uma dica: compra um mesinho antes na gol que sai o mesmo preço do onibus.